Editorial StarLink News N6

Elia San Miguel, analista do Gartner,
traça perspectivas para o mercado de TI
em 2010

“Virtualização e cloud computing devem
gerar necessidades no mercado
de storage”, diz Marcos Café, da NetApp


Aceleração da rede WAN: uma
tendência que ajuda a reduzir custos

 

Passamos por uma crise difícil em 2009, mas não paramos de observar o mercado, investir em comunicação e treinamento e colhemos os resultados da retomada da economia a partir do segundo semestre.

Em 2010, estaremos preparados para atender às demandas do mercado, que devem ser bem maiores que em 2009 e girar em torno de tendências como a virtualização e a otimização de WAN, que visam melhorar a administração da TI das empresas e aumentar a produtividade.

E para dar um panorama do que vai acontecer no mercado de tecnologia no próximo ano, convidamos três referências importantes para conversar com o StarLink News: Elia San Miguel, Analista de Pesquisa do Gartner, Marcos Café, Country Manager da NetApp no Brasil e Leonel Oliveira, Gerente Regional de Vendas da Riverbed no Brasil. Eles nos ajudarão a entender melhor o mercado e conhecer as tendências mais importantes da TI no ano de 2010.

A StarLink deseja a você um 2010 cheio de prosperidade e bons negócios!.

Aproveite a leitura!


Paulo Montez Jr. - Diretor Geral

 

Conheça os detalhes sobre as tecnologias mais importantes para o futuro e as movimentações e mudanças no mercado de TI em 2010.

Fundado em 1979, o Gartner se consolidou como líder em pesquisas e aconselhamento para o mercado de Tecnologia da Informação, acompanhando tanto a oferta quanto a demanda de tecnologia. São 1200 analistas e consultores, divididos em comunidades de pesquisa, analisando fornecedores e clientes finais de TI em 80 países.

O Gartner tem pesquisas famosas e muito esperadas no mercado. Do lado do fornecimento de tecnologia, as pesquisas Hype Cycles e Magic Quadrants merecem destaque. A primeira acompanha o desenvolvimento de uma tecnologia desde o momento em que ela surge até o momento em que atinge a sua maturidade, com demanda suficiente no mercado e modelos de negócios bem definidos. Já os Magic Quadrants mapeiam em quatro áreas os fornecedores que são líderes em cada tecnologia.

Em entrevista ao StarLink News, Elia San Miguel, Principal Research Analyst há 3 anos, traça, em detalhes, um panorama da área de TI para o próximo ano e explica quais serão as tendências para o futuro.


Magic Quadrants

Na pesquisa dos Magic Quadrants, Elia dá destaque especial ao Quadrante de Mercado de otimização e aceleração de redes WAN: “dentro do nosso último Quadrante Mágico, a Riverbed, que está entre os produtos que vocês representam, aparece como líder”. Segundo a analista de pesquisas, para que uma empresa seja líder no Quadrante Mágico, não basta somente ter um bom produto, é necessário ter excelência em produtos, serviços, visão de futuro, estratégia de negócios e ainda saúde financeira: “não é apenas uma avaliação técnica,
puramente bits & bytes”.

Inovação e visão de futuro também são pontos importantes para o Gartner na avaliação dos fornecedores de tecnologia. Além disso, a resposta do mercado é levada em conta na avaliação.


Movimentações do mercado

O ano de 2009 trouxe fusões em várias áreas. HP e 3Com, Sun e Oracle são exemplos importantes. Mas Elia San Miguel afirma que a tendência é de que mais fusões venham a acontecer em 2010: “as empresas buscam cada vez mais uma operação mais enxuta, reduções de OPEX para se obter margens mais interessantes”. Para a pesquisadora, o crescimento e a redução de OPEX através de fusões e aquisições é uma tendência forte
no mercado de TI: “a Cisco, por exemplo, é clássica no crescimento por aquisição”. Também existe a aquisição de mercado: “Quando uma Avaya compra a Nortel, enxergamos como se a Avaya estivesse comprando mercado, market share”.

Segundo Elia, esse movimento de consolidação deve continuar. Ainda há espaço em muitas áreas da tecnologia para que isso aconteça: “uma área em que devem acontecer consolidações é a área de aplicações móveis, pois ainda há empresas pequenas, em época de incubação e que naturalmente serão adquiridas por empresas maiores”.

Tendências

Todo ano, o Gartner lista as tecnologias que farão parte dos investimentos e das preocupações das empresas no mundo todo. No mercado brasileiro, assim como na América Latina, os negócios devem girar em torno das pequenas e médias empresas: “somos 80% SMB (Small and Medium Size Business) e 20% grandes corporações”, segundo a perspectiva de Elia.

Uma das tendências mais fortes é a Virtualização. A previsão do Gartner é de que essa tecnologia não esteja mais restrita apenas a servidores, mas que esteja presente no nível de armazenamento - storage, redes e desktops. A promessa da virtualização é trazer para as grandes empresas migração dedados com menores custos, gerenciamento unificado de storage, serviços de replicação comuns e um ciclo de vida dos produtos
mais longo.

No caso das pequenas e médias empresas, os serviços hospedados aparecem como uma tendência forte, segundo Elia “as empresas brasileiras vão perdendo a insegurança de ter aplicações na web”. Com isso, os serviços em Cloud Computing são cada vez mais demandados.

Para Elia, a busca por muitos desses serviços “na nuvem”, ou mesmo de telefonia IP são demandados por causa da sensível redução de custos. Mas, na visão do Gartner, a busca do “custo pelo custo” nunca é a melhor alternativa: “É melhor buscar o custo em decorrência da solução ou como um benefício que a solução vai trazer ou ainda executar melhor os serviços, focar nos negócios alvo e ter mais lucros”, explica a analista.

Outra tecnologia que representa uma pressão do mundo consumidor no mundo corporativo seriam as redes sociais. Dentro das empresas ainda existem muitas limitações em relação ao uso dessas redes. Para Elia, a geração digital que está entrando no mercado agora trabalha muito o conceito de colaboração: “isso pode trazer benefícios ao mundo empresarial”. É claro que o uso das redes sociais ainda precisa passar por um processo de amadurecimento, principalmente ao ser incorporado ao mundo corporativo.

As Comunicações Unificadas, há alguns anos entre as principais tendências do Gartner, continua na lista das tecnologias mais importantes: “a comunicação começa a ser importante quando ela alavanca, melhora, otimiza processos de negócios”. De acordo com o Gartner, a telefonia móvel e sua convergência com a telefonia fixa podem ser uma grande tendência, com a telefonia IP aparecendo como um padronizador da comunicação nas empresas: “a gente vê isso como uma tendência no Brasil em vários clientes”, afirma Elia. Para ela, telefonia IP é muito mais do que substituir um PABX. Esse tipo de telefonia (baseada em IP)oferece grandes possibilidades por estar relacionada às redes

LAN e WAN. De acordo com a analista, o Brasil começa a seguir o movimento do departamento de TI incorporando o de Telecom ou Redes - Network.

Outra área que vem ganhando cada vez mais importância é a de Green IT ou TI Verde. Na percepção do Gartner, o estágio da TI Verde no Brasil está relacionado às questões de economia de consumo de energia e impressão, e as empresas que já precisavam fazer grandes mudanças em seus datacenters e acabam escolhendo a opção que mais se encaixa em certificações como a LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).

Na opinião de Elia, empresas começam a incorporar a sustentabilidade como um de seus pilares: “é o caso da Natura, por exemplo, que exige que seus fornecedores de TI tragam algum aporte ou certificacao sustentavel”. Preocupações em torno de consumo de energia, necessidade de arrefecimento e espaço começam a surgir, passando até
mesmo pela questão do retorno de investimento que a TI Verde pode trazer: “é o mesmo discurso do fornecedor de geladeira no qual, se você trocar a geladeira da sua casa, em dois anos você ela se paga pela redução de custos de consumo e pela excelência que ela traz”.

Diferencial competitivo

Segundo a análise de San Miguel, focar na questão da sustentabilidade pode ser um diferencial competitivo. Muitos vendors oferecem benefícios alinhados à questão sustentável e esses diferenciais merecem destaque. Para Elia, “cada vez mais empresas, ou por iniciativa própria ou por pressão da sociedade vão começar a ter exigências em torno da TI Verde”.

 
 



 
 
Mercado de storage promete crescer em 2010. As previsões são de que esse crescimento chegue aos dois dígitos.

A NetApp, líder em eficiência de armazenamento, também sofreu com a crise que afetou o mundo todo no final de 2008: “até meados do primeiro trimestre e um pouco depois, abril, a situação ainda estava crítica, pois muitas empresas não sabiamem que cenário trabalhar”, conta Marcos Café, o country manager da NetApp. Com o Brasil passando pela crise de uma forma mais branda, os investimentos em storage rapidamente foram retomados. Segundo a análise de Café, a partir do meio do ano, várias empresas, especialmente as nacionais, começaram a voltar a vislumbrar perspectivas de investimento em tecnologia.

Para 2010, o executivo espera um mercado de armazenamento movimentado e em crescimento: “O que queremos aqui no Brasil, como estratégia é crescer mais rápido que o mercado, crescer em market share”. Analisando o que afirmam muitos consultores de institutos de pesquisa especializados em TI, Café detecta que haverá um crescimento significativo no mercado de storage no próximo ano, atingindo a marca dos dois dígitos.

Tendências

Algumas tendências importantes devem alavancar essa demanda por armazenamento e gerenciamento da informação no próximo ano: “Está todo mundo falando em virtualização, todo mundo está preocupado com isso pelos benefícios, melhor utilização e permitir trabalhar num ambiente mais voltado à TI Verde”, explica Café.

Outro investimento na pauta das empresas em 2010 estará relacionado a diminuição da janela de backup, disaster recovery e parada zero das aplicações.

A infrarestrutura Cloud Computing também deve gerar muitas demandas de TI em 2010: “o mercado está começando a entender o que é a infraestrutura Cloud, uma tecnologia que vem se tornando madura”, prevê Café. Segundo ele, muitas empresas já buscam serviços na nuvem ou baseiam-se no cloud para atender seus clientes internos.

Mercado e concorrência

Sob a perspectiva de Marcos Café, o mercado de tecnologia é extremamente dinâmico e movimentos de fusões e aquisições têm feito parte da realidade das empresas de TI que buscam maneiras de se diferenciar e crescer. Sobre a NetApp, Café afirma que a empresa deve manter o foco em armazenamento e gerenciamento de dados porque há a previsão de um período bastante positivo para o mercado de storage, com
crescimento sem a necessidade de fusão com outras empresas.

Parcerias

Segundo Café, a NetApp aposta muito em seus parceiros para concretizar esse crescimento em 2010:“queremos que o parceiro acompanhe o que estamos fazendo, principalmente do ponto de vista da qualificação”. Para a
NetApp, os parceiros são como uma extensão da empresa e todos precisam estar em perfeita sintonia. “Continuamos apostando na aliança com a StarLink e esperamos que ela esteja conosco em 2010, brindando novos projetos e novos clientes”, arremata Café.



Líder entre as empresas de aceleração de WAN no Quadrante Mágico do Gartner, Riverbed passa pela crise com saldo positivo.

O mercado de aceleração da rede WAN enfrentou a crise de uma maneira positiva. É o que revela Leonel Oliveira, gerente regional de vendas da Riverbed: “a solução que nós entregamos ao mercado proporciona uma série de benefícios de redução de custos, de virtualização que acabam auxiliando a infraestrutura de uma forma geral”.

Com a promessa de acelerar e otimizar o tráfego de dados através daWAN, a Riverbed vem se posicionando como uma alternativa importante paraque empresas conquistem eficiência e produtividade em uma situação de restrição de orçamento.

Segundo Leonel, essa realidade se refletiu nos resultados das atividades da Riverbed no Brasil no ano de 2009: “os resultados foram extremamente positivos. Tivemos uma atividade bem melhor do que nos anos anteriores”.

Demandas do mercado

Considerando consolidação e a virtualização como grandes preocupações do mercado em 2010, Leonel aposta na integração do produto Riverbed com essas tendências, entregando, através da aceleração da WAN, melhoria na performance, escalabilidade, segurança e velocidade.

Nesse sentido, a expectativa do executivo é de alcançar um crescimento da ordem de 40, 50% em receita no Brasil. Em relação à concorrência, Oliveira ressalta o fato do Riverbed ter a característica de plataformas virtuais, mantendo uma liderança tecnológica em relação a seus concorrentes.

Parcerias

Com vendas realizadas através de parceiros, a Riverbed irá reforçar ainda mais a capacitação dos canais em 2010. A empresa vai intensificar os treinamentos para desenvolver o canal e torná-lo apto a conquistar mais contas, ampliando ainda mais a participação da Riverbed no mercado brasileiro.


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